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Antônio Moura, from Silence River

A casa

Ventre-casa de onde saímos
para entrar na casa-ventre de
quatro paredes onde chegamos.
Um entre, onde ficamos em
convívio: pai, filho, espírito, espanto
quando um a um de nós caímos
no tumulto do mundo, largados
à miragem de estar sozinho,
até ver a imagem no espelho
que reflete o invisível, até ouvir
o indizível chamado para
voltar ao ventre, casa
sem uma única parede entre as estrelas
de onde, talvez, nunca tenhamos saído

The House

House-womb which we left
to enter the womb-house of
four walls where we arrive.
A halfway, where we live
together: father, son, spirit, wholly
surprised when one by one we fall
in the world’s turmoil, abandoned
to the mirage of being alone
until we see the image in the mirror
that reflects the unseeable, until we hear
the unspeakable call for us
to return to the womb, house
without a single wall between the stars
which, perhaps, we have never left